“Para enfrentar as mágoas e desapontamentos de um lar destruído, as crianças precisam do apoio e da ajuda de dois pais sadios, honestos e amadurecidos, mesmo que estejam seguindo direções diferentes.” (Archibald D. Hart, Ajudando os filhos a sobreviverem ao divórcio,


Pais separados: o filho deve escolher com quem ficar?
Escrito por Thais Souza.

A separação conjugal não é fácil para os filhos, não importa a idade que tenham. Por mais que a situação do casamento dos pais estivesse ruim e os conflitos fossem constantes e isto também trouxesse tristeza para os filhos, a separação sempre traz insegurança e medo com relação ao futuro, para os filhos.

Diante da separação dos pais, é comum que os filhos fiquem bastante divididos com relação a com quem ficar. Eles amam tanto o pai quanto a mãe, e torna-se uma escolha muito difícil para eles saberem com quem desejam morar. Normalmente não querem decepcionar nem o pai e nem a mãe, e também não querem perder o convívio com nenhum dos dois.

Nesta situação, muitos pais se perguntam se o filho pode ou deve escolher com quem deseja ficar.

Do ponto de vista jurídico, o filho só pode decidir com quem deseja ficar a partir dos 12 anos. E mesmo assim, a definição da guarda é feita pelo juiz ou acordada entre os pais. Mas, nem sempre os pais conseguem entrar em um acordo pacífico com relação a isto.

O que deve ser levado em consideração para essa decisão é o que será melhor para a criança, e não para o pai ou a mãe. Algumas questões que devem ser consideradas são:

– com qual pai a criança tem maior afetividade e proximidade?

– qual pai tem a melhor condição de assistir, de estar em contato com a criança em suas atividades do dia a dia?

– a condição emocional do pai e da mãe no dia a dia com a criança?

– e em qual local será mais fácil de a criança ter a maioria da sua rotina preservada após o divórcio, sem que ela tenha que sofrer muitas mudanças além da própria separação?

E o que fazer quando um filho que ainda é criança expressa muito a falta do pai ou da mãe, mas está sob a guarda da outra parte?

1. É importante que o pai ou a mãe que está com essa criança permita que ela veja e fale com o outro, lembrando que é natural que ela sinta saudade e, por mais que o ex-casal não se fale ou ainda carregue muitas mágoas um do outro, precisam entendem que a criança tem o direito de continuar amando o pai e a mãe e precisando deste contato. Os pais não devem proibir o filho de ver ou falar com o pai ou com a mãe, e nem devem usar o afastamento do pai ou da mãe como castigo ou disciplina por algo que fizeram ou deixaram de fazer.

2. O pai e a mãe podem permitir que o filho fale sobre a saudade que sente, permitir que ele chore e dar a este filho a compreensão da sua dor, seja através de um abraço enquanto ele chora, seja incentivando-o a dar um telefonema para o pai ou a mãe de quem estão com saudades. O filho precisa ser compreendido em sua dor.

3. Os pais não devem falar mal do outro para o filho, por mais que estejam ainda muito chateados um com o outro. Alguns pais, quando os filhos falam que estão sentindo falta do outro pai ou mãe com quem não moram mais, soltam frases como: “está com saudade daquele infeliz? Como você consegue ter saudade dele (a)?”, ou “seu pai (ou sua mãe) nem liga para você, e você fica aí sentindo falta dele!”. Frases assim são extremamente angustiantes para o filho, independente da idade. Os pais podem ter uma visão negativa do ex-cônjuge, mas jamais devem incentivar os filhos a terem essa mesma visão, lembrando que o relacionamento deles com o ex-cônjuge é um tipo; e o relacionamento dele (a) com os filhos é outro tipo.

“Para enfrentar as mágoas e desapontamentos de um lar destruído, as crianças precisam do apoio e da ajuda de dois pais sadios, honestos e amadurecidos, mesmo que estejam seguindo direções diferentes.” (Archibald D. Hart, Ajudando os filhos a sobreviverem ao divórcio, p.84)

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