O individuo sofre atrasos no desenvolvimento social, emocional e psicológico, algo que pode comprometer sua capacidade de interação com o seu meio social e estagná-lo em um único ponto por um longo período de tempo


Da mesma forma que um dos principais fatores que sustentam e locomovem a sociedade moderna é o trabalho alienado, um fator primordial para o ambiente familiar é a alienação parental. A alienação parental não deve ser vista apenas como o ato de um pai ou mãe que influencia o filho a criar uma imagem negativa do parceiro ou, na maioria dos casos, do ex-parceiro, mas, também, como uma forma que, pelo ponto de vista do alienador, é um meio de equilibrar ou até favorecer o meio familiar. É claro que isso será feito pela perspectiva dele, do alienador, não do alienado. Também pode ser considerado egoísmo.
De uma forma lógica, que visa o conceito da pré-determinação do psicológico humano, a alienação parental é uma reação extremamente lógica: se uma pessoa se sente ameaçada, ela tende a usar todas as armas possíveis para sair dessa situação ou, ao menos, torná-la mais equilibrada. Infelizmente sabemos que a metáfora “arma” é um eufemismo para “criança”. Nesse ponto percebemos que a alienação parental é um mal tão grande que pode causar danos tão graves, ou ainda piores, que um distúrbio psicológico.
Focalizando na percepção da criança, tudo é destruído, no mínimo. Na pior das hipóteses de uma alienação parental, a criança se encontra na fase onde seu psicológico ainda está se formando. Agora, se somarmos esse período com a deturpada situação que sempre precede o período da alienação e por fim as varias seções de alienação que no começo podem muito bem ser descrita como tortura psicológica, pois é o que vai parecer para uma criança já que ela vai ter seus progenitores brigando e se destruindo enquanto tudo o que ele pode fazer é ficar assistindo, se não quando ele é obrigado a escolher um lado. Há momentos em que chega a ser sádico.
Acredito que não há a necessidade de citar que a alienação parental é algo ruim. Mas, mesmo quando o alienador julgar ter um motivo valido para fazê-lo ? o ex-conjugue bebe, bate e trai ?, não significa que ele realmente deva. A partir do momento que o alienador interfere na percepção, mesmo sendo para impedi-la de sofrer, segundo a sua própria percepção, isso pode ser considerado egoísmo, já que a criança, a pessoa a ser alienada, nem sequer foi consultada e muito menos tem a capacidade de discernir uma opinião formada sobre o fato, e mesmo que pudesse, ela estaria sendo privada de sua fonte, seu ente a qual será alienada sobre, assim sendo incapaz de, com o tempo, formular uma opinião concreta, sendo sempre dependente, até um fator interferir, da opinião do alienador. Por essa razão também se pode afirmar que a alienação parental cria um duplo grau de dano, pois também influencia negativamente na capacidade de formulação psicológica individual de uma persona.
Já foi citado em outros artigos que a alienação pode influenciar negativamente nas relações posteriores da criança alienada, mas isso não se restringe apenas a relações com o sexo oposto de caráter intimo, a convivência social do individuo que sofreu alienação, em caráter geral, é afetada. O individuo sofre atrasos no desenvolvimento social, emocional e psicológico, algo que pode comprometer sua capacidade de interação com o seu meio social e estagná-lo em um único ponto por um longo período de tempo.
Pessoalmente acredito que a alienação parental é um ato repugnante que expressa o mais puro egoísmo do alienador, esse que em certos casos não merece a alcunha de pai/mãe, mas o ser a ser alienado sobre também tem sua parcela de culpa, mesmo que todo o resto do ambiente esteja contra ele. Pode-se assumir desde o inicio a posição a favor do individuo a ser alienado, mas isso nem sempre se justifica, já que este também possui a possibilidade de se defender fornecendo a criança uma imagem totalmente contraria a que está sendo passada à ela, mas nem sempre ele o faz. Normalmente as razões são simples: medo, incapacidade de fornecer uma imagem que confronte o perfil passado pelo alienador, ou simplesmente a desistência motivada por um ambiente social qual o individuo foi formado, ambiente este que não valoriza a relação paterno-familiar o que faz o próprio individuo a ser alienado não valorizar também. Normalmente nesse ultimo caso, o individuo tende a se afastar ainda mais da criança a ser alienada, facilitando a alienação e deterioração psicológica desta pelo alienador.
Pode-se realmente culpar a criança? Não. Não se pode culpar a criança. Por mais que um pai julgue seu filho inteligente, deve-se lembrar que a maioria das pessoas não consegue diferenciar a típica habilidade de percepção de fatos e informações que marcam o período psico-formativo infantil da, já adulta, habilidade de discernimento. Não esquecendo que também há a ocasião do humor de contra senso que muitas vezes é confundido ? graças ao narcisismo paterno ? com a capacidade mesmo que aparentemente infantil de compreender totalmente o que esta sendo dito pelo pai, sendo que não é “compreensão” em si, o garoto está apenas “achando” o que é melhor para o humor do alienador no momento. Exemplificando de uma forma bruta, se pode ensinar a palavra “estereótipo” para um papagaio, mas não se pode obter dele uma resposta para a pergunta “qual o significado de estereótipo?”. Sendo assim, como uma pessoa é capaz de julgar uma criança apta para lidar com a complexidade tamanha de uma decisão sobre a índole de um de seus genitores? O nível de esperança desse ato chega a ser tão grande que beira as raias da crueldade.
Infelizmente, não se pode prever um fim para a alienação parental que não interfira na liberdade individual, pois há muitas possibilidades e premissas a serem consideradas. O máximo a ser considerado é… Não… Não há nada a ser considerado. A alienação parental é um tipo de mal que só pode ser combatido no ato, pelo menos combatido com eficiência. Sendo assim, o problema em si se torna algo ainda mais calamitoso e o mínimo que se pode esperar de um individuo que queira combatê-lo é que esse tenha a decência e o discernimento necessário para educar uma criança, a próxima geração, a escolher uma boa parceira e desenvolva com ela um bom relacionamento, este que não precisa ser necessariamente físico, mas psicológico, já que assim se abrange a possibilidade de um final saudável para as crianças envolvidas no final desse relacionamento. Essa é uma forma de se combater a alienação parental em longo prazo, antes eu havia dito que só se pode combater a alienação parental com eficiência no ato, bom… Eu não disse que esse método de longo prazo era funcional.

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